No próximo dia 18 de maio, Santa Catarina será palco de um exercício inédito de preparação para desastres: o Iº Simulado de Sistema Integrado de Comunicação da Rede Estadual de Emergência de Radioamadores (REER-SC). O evento acontece em paralelo ao Iº Exercício Geral de Gestão de Desastres promovido pela Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil (SEPDC).
O objetivo do simulado é testar a capacidade de resposta, improvisação e integração entre voluntários radioamadores e estruturas municipais de defesa civil, em cenários que simulam catástrofes como vendavais e enchentes. Embora a REER-SC ainda esteja em fase de formalização, a iniciativa já mobiliza dezenas de voluntários em todo o estado.

Comunicação na linha de frente
Cada município participante definirá o tipo de desastre simulado e os horários de atuação. O desafio principal será estabelecer uma linha de comunicação eficaz entre a chamada “área quente” — o local do suposto incidente —, os postos de apoio municipais e a sede estadual da Defesa Civil, localizada em Florianópolis.
Para isso, os radioamadores utilizarão um arsenal tecnológico que inclui rádios VHF em simplex, repetidoras analógicas e digitais (DMR), além de redes de longa distância como Echolink e Winlink. A faixa de 40 metros em HF (7.050 MHz) também será utilizada para comunicações interestaduais.
O uso dessas ferramentas busca não apenas garantir a transmissão de dados em cenários de falha das comunicações convencionais, mas também promover a interoperabilidade entre diferentes regiões e tecnologias.
Integração com defesas civis municipais
Um dos maiores desafios, segundo os organizadores, será a articulação com as defesas civis municipais, muitas das quais nunca trabalharam diretamente com radioamadores. A orientação para os voluntários é clara: procurar os responsáveis locais e integrar-se aos Grupos de Resposta e Ações Coordenadas (GRAC), assegurando a inserção no planejamento do exercício estadual.
“O simulado é uma oportunidade de alinhar procedimentos e conhecer as dificuldades reais de campo. O radioamadorismo pode ser o elo que faltava entre as ocorrências e o comando estadual”, diz Glenn Prussek Martinho, um dos coordenadores da iniciativa.
Missão: informar e aprender
As tarefas dos participantes incluem montar estações de rádio nos locais simulados de desastre e nos postos de apoio, coletar informações junto aos gabinetes de crise locais e transmiti-las à central da Defesa Civil em Florianópolis.
Um formulário eletrônico será disponibilizado para avaliar o desempenho e os desafios enfrentados durante o exercício. A expectativa é que o simulado funcione como uma “prova de fogo” para os processos de comunicação emergencial e sirva de base para a institucionalização da REER-SC.
Cultura de prevenção
A frase que guia os participantes resume bem o espírito da atividade: “Podemos ficar anos sem sermos empregados em um evento, mas não podemos ficar um minuto sem sermos treinados para um evento.”
A atividade tem apoio da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão (LABRE-SC) e da Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil, e deve contar com ampla adesão de radioamadores em diferentes regiões do estado
Fonte: https://labre-sc.org.br/reer-sc/ – Acesso em 26/04/2025 – Autor não informado na fonte.